sábado, 13 de setembro de 2014

Um lugar no mundo


Foi com um terror gelado que percebi a ausência de meu lugar. Foi com o insight “porque lá não é o meu lugar” que se tornou claro que tenho meu lugar de conforto apenas em minhas relações com o outro. Mas como se pode estar em perfeito estado de conforto em lugares instáveis? De tudo que tenho... boa parte do que consegui foi nestes relacionamentos, ou na tentativa desses. Muito se perde com a distância e fico sem quando eles se findam.

Um terror que Clarisse conhecia. Ela o chamava de um metal frio encostado na carne morna. Pois é exatamente esta a sensação. Algo que nos gela de dentro pra fora e nos paralisa. E é horrível. E é horrível. E tentamos nos encolher para ver se passa; mas à medida que nos encolhemos, mais nos aproximamos daquele frio que toca nosso coração. E é quando começa a doer. É quando sentimos a lâmina fria através aqueles músculos meio-pulsantes-meio-enrijecidos e a cada pulsar é uma pontada nova. E é horrível. E é horrível...

Um lugar. Basta um lugar para não deixar o frio entrar. Um lugar. Por favor, um lugar!


Como construí-lo?

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